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Crítica: A chegada

Postado por: Camila Tebet 0 Categoria: Cinema & TVOscar 2017

a-chegada-1E se um dia objetos imensos, naves nunca antes vistas, surgissem do nada em doze locais diferentes do mundo? É isso que dá início ao filme A chegada, dirigido por Denis Villeneuve. Após a aparição das naves, que simplesmente “estacionaram” na Terra, há uma onda de tensão no mundo inteiro, que passa a ser devastado pelo medo. O que é aquilo, de onde vieram e o que querem em nosso planeta?

São essas as respostas que o governo americano quer desvendar. Para isso, eles reúnem um time com diversas especialidades para tentar descobrir o quanto antes o motivo do surgimento das naves. Entre os especialistas, está a linguista Louise Banks (Amy Adams), escolhida para tentar realizar contato com os seres de outro planeta, heptapódes, e descobrir suas motivações aqui na Terra.

A premissa pode parecer comum, mas o jeito que a história é abordada a diferencia dos outros filmes de invasão alienígena. Aqui, o principal objetivo é descobrir porque eles vieram e o que querem, já que não há nenhuma investida violenta por parte dos extraterrestres. Então, aos poucos o espectador acompanha a jornada de Banks para realizar contato e conseguir compreender uma linguagem completamente diferente de tudo que o ser humano está acostumado.

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O filme traz um clima de tensão constante, com uma trilha sonora repleta de efeitos sonoros que deixam o espectador completamente envolto à história. Ao mesmo tempo em que mostra os experimentos realizados por Banks e sua equipe, que aos poucos vão desvendando e compreendendo os códigos lançados pelos heptapódes, é possível acompanhar os reflexos da chegada das “conchas”, como são chamadas no filme, na sociedade. Uma onda de violência assolou o mundo, marcado por roubos e destruição, propondo a reflexão de quem seria a verdadeira ameaça. Além disso, a obra demonstra também as divergências de cada governo, transmitindo a mensagem de que a melhor solução seria se unir em busca de uma resposta.

Ao mesmo tempo em que é cercada pela atmosfera científica, que desvenda o desconhecido, a obra traz uma visão mais intimista ao acompanhar de perto trechos da vida de Louise Banks em linguagem não-linear, em que tudo se conecta, grandiosamente, no fim da história. Outro grande ponto alto do filme é colocá-lo sob o ponto de vista de uma linguista, demonstrando a vital importância da comunicação. O clima de tensão é constante, mas as cenas de confronto dão espaço às tentativas de contato entre as duas raças, que aos poucos revelam a missão dos heptapódes na Terra.

Indicado à oito categorias no Oscar 2017, incluindo de Melhor Filme, A chegada aborda uma perspectiva completamente diferente do tema, trazendo uma história inteligente, sensível e com conexões que demonstram a complexidade e importância da linguagem, da memória e da humanidade. Dando voz à Louise Banks, Amy Adams destaca-se no papel, trazendo uma atuação emocionante. A fotografia do longa também merece menção, assim como a direção de arte, com elementos que ajudam o espectador a se situar e a embarcar, junto com a equipe americana, no desconhecido.

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Este é o tipo de filme que traz tantas nuances que é possível discuti-lo por horas e encontrar uma nova percepção a cada vez que assistido. Ele é bem amarrado, flui facilmente e ainda traz uma aula de direção. Denis Villeneuve fez com que todos os elementos presentes na obra se encaixassem perfeitamente, propondo inúmeras reflexões sobre nosso papel na sociedade em uma obra que é densa ao mesmo tempo que emociona. A chegada é, com certeza, um dos melhores filmes de 2016.

 

 

FICHA TÉCNICA

Título original: Arrival

Diretor: Denis Villeneuve

Gênero: Ficção científica

Duração: 116 minutos

Classificação: 10 anos

Países: EUA

Nota: 4,5/5

 

Camila Tebet

Jornalista, é apaixonada por cultura em todas as suas vertentes. Acredita no poder de transformação social e intelectual que as artes possuem e tenta, mesmo que aos poucos, democratizá-la.