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Crítica: Animais Noturnos

Postado por: Maria Luiza de Paula 0 Categoria: Cinema & TVOscar 2017

Animais_Noturnos_cartazBaseado no livro Tony e Susan de Austin Wright, publicado em 1993, Animais Noturnos é dirigido por Tom Ford. Esse é o segundo filme do estilista, o primeiro foi Direito de Amar, de 2009. Por ter vindo do mundo da moda, o diretor tem uma grande preocupação com o aspecto visual de seus filmes, e aqui não é diferente.

O longa começa com uma sequência bastante inusitada, com obesas mórbidas dançando nuas como líderes de torcida americanas. Essa cena nos introduz ao mundo da protagonista, Susan Morrow (Amy Adams), que é dona de uma galeria de arte de sucesso em Los Angeles.

Apesar de todo o sucesso profissional, sua vida amorosa está longe do ideal. Um dia, ela recebe em casa uma caixa com um livro escrito pelo seu ex-marido Edward Sheffield (Jack Gyllenhaal), alguém que ela não vê há 20 anos. O romance chama-se Animais Noturnos, apelido que ele deu para Susan.

A narrativa se passa em três histórias paralelas: a vida atual de Susan, o passado dela com Edward e a história do livro. Na ficção, Tony Hastings (também interpretado por Jack Gyllenhaal) está viajando para o oeste do estado do Texas junto com sua mulher Laura Hastings (Isla Fisher) e a filha deles India Hastings (Ellie Bamber). Os três cruzam o caminho de um grupo de arruaceiros que os faz sair da estrada e os homens acabam por sequestrar Laura e India. Tony então inicia uma busca para descobrir o que aconteceu com sua mulher e sua filha.

No mundo real, Susan lê o livro em choque, enquanto tem flashbacks de como conheceu Edward e toda a história que tiveram juntos. Os dois eram jovens e idealistas, mas a mãe dela era contra o casamento, pois acreditava que ele era fraco e não tinha ambição suficiente. Os dois se separaram e mesmo tendo se passado anos, ainda havia muita mágoa (misturado com um pouco de culpa) entre ambos.

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Ford consegue conectar todas as histórias que acontecem e prender a atenção do espectador com o suspense causado pelo livro que Susan está lendo. Tony descobre que sua família foi assassinada de forma brutal e vai atrás de vingança. Ele se une com o detetive Bobby Andes (Michael Shannon), que está com câncer terminal e está disposto a fazer qualquer coisa para vingar a família Hastings.

Animais Noturnos peca, porém, na forma como o roteiro constrói o desfecho da trama, que parece muito simples para uma história tão complexa. Entretanto, isso não torna o filme ruim e mostra que Tom Ford não entrou no mundo do cinema apenas para brincar. O longa fala de temas como culpa, vingança, arrependimentos e pressões da sociedade.

Para o elenco, as escolhas de Ford foram certeiras, com todos os atores sendo muito competentes em seu trabalho. Destaque vai para Jack Gyllenhaal, que consegue interpretar dois personagens diferentes um do outro, mas que no final mostram-se complementares, assim como o roteiro pede.

 

FICHA TÉCNICA

Título original: Nocturnal Animals

Diretor: Tom Ford

Gênero: Drama/Suspense

Duração: 116 minutos

Classificação: 16 anos

Países: EUA

Nota: 4/5

 

Maria Luiza de Paula

Jornalista, curitibana. Acredita que a valorização da cultura e da arte são elementos fundamentais para uma sociedade evoluída. Através do site Expresso Cultural espera conseguir atrair as pessoas para este universo. Ainda compra CDs, viaja quilômetros para ver suas bandas favoritas, morre de ciúmes do seus livros.