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Crítica: Até o último homem

Postado por: Camila Tebet 0 Categoria: Cinema & TVOscar 2017

ate-o-ultimo-homem1Até o último homem, que conta com seis indicações ao Oscar 2017, marca o retorno de Mel Gibson à Hollywood. O último filme de Gibson como diretor havia sido “Apocalypto”, lançado em 2006. Em seu novo longa, ele traz uma nova perspectiva para os filmes de guerra contando a história de Desmond Doss, um soldado americano que surpreendeu ao se tornar herói de guerra sem nunca ter segurado uma arma. Com muitas cenas de conflito e uma forte trama, o filme também tem seus pontos negativos, como os clichês hollywoodianos e a forte americanização.

Interpretado por Andrew Garfield, Desmond Doss é um jovem americano que vive em uma pequena cidade do interior. O filme é inteiramente voltado para ele, acompanhando sua infância, juventude e quando ele decide se alistar para a 2ª Guerra Mundial. Doss é muito religioso e leva sua vida com base nos dez mandamentos – algo que se intensificou após passar por um trauma de infância e a vida cercada pela violência exercida pelo pai.

Quando jovem, ele se apaixona pela enfermeira Dorothy Schutte (Teresa Palmer), mas seus planos de casar com a moça são adiados pela iminência da guerra. Em conflito com suas crenças, mas sentindo-se no dever de se alistar, Desmond segue os passos do irmão Hal e coloca-se à disposição do governo. Respeitando ao mandamento “Não matarás”, Doss pensa em uma forma de ajudar na batalha sem precisar lutar. Assim, ele alista-se como médico.

Partindo para a segunda parte do filme, o treinamento para as batalhas, Doss percebe que terá que passar por muitos obstáculos se quiser continuar seguindo seus princípios. Os treinos exigem que ele passe por diversos estágios, inclusive aulas de luta, e além disso ele tem que passar pela pressão dos superiores e de seus colegas, que não conseguem entender suas motivações e acreditam que ele está colocando em risco a si mesmo e a outras pessoas.

Apesar de toda a pressão, ele mantém-se firme em seus propósitos e luta para que consiga fazer sua parte na guerra salvando as pessoas ao invés de matá-las, ainda que sejam inimigos. Na terceira parte, que abrange a batalha (Batalha de Okinawa, 1945), há o grande ápice do filme. As cenas de conflito são extremamente realistas e dão força ao longa, trazendo sequências sangrentas, explosões e tiros que se estendem por longos minutos. Aqui, Doss coloca em prova suas convicções.

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O filme é bastante focado na construção do personagem Desmond, que entra em conflito interno refletindo sobre o seu dever perante a sociedade e suas convicções. Apesar das adversidades, ele consegue provar que é possível seguir as duas coisas. Ele cresce durante a história e, no fim, consegue surpreender a todos. Andrew Garfield traz uma boa atuação no filme, criando empatia do espectador com o personagem.

Trazendo uma história real, Até o último homem revela-se um ótimo filme de guerra, com uma trama forte e bem desenvolvida. Entretanto, o roteiro peca em não aprofundar as relações familiares de Desmond e em trazer muitos clichês hollywoodianos, enaltecendo sempre o lado americano.

Mel Gibson prova novamente ser um ótimo diretor. Apesar da primeira parte do filme ser um pouco lenta, da metade para o final ele ganha força, prendendo a atenção do espectador. Fotografia, trilha sonora e efeitos visuais, aliados às ótimas cenas de batalha, trazem um forte clima de tensão para à obra, fazendo com que quem está assistindo fique ansioso e angustiado para o que virá a seguir.

Até o último homem é um filme sobre guerra, mas que vai muito além das cenas de batalha, trazendo importantes reflexões e sendo contado a partir de um novo ponto de vista. Gibson, no fim do filme, traz depoimentos do verdadeiro Desmond Doss, já em sua velhice, revelando ainda mais a importância de sua missão.

 

FICHA TÉCNICA

Título original: Hacksaw Ridge

Diretor: Mel Gibson

Gênero: Drama/Guerra

Duração: 131 minutos

Classificação: 14 anos

Países: EUA

Nota: 4/5

Camila Tebet

Jornalista, é apaixonada por cultura em todas as suas vertentes. Acredita no poder de transformação social e intelectual que as artes possuem e tenta, mesmo que aos poucos, democratizá-la.