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Crítica: Joanne, Lady Gaga

Postado por: Expresso Cultural 0 Categoria: Música

* Texto do nosso colaborador, Lucas Kammer Orsi.

joanneDepois do malsucedido lançamento de ARTPOP em 2013, Lady Gaga se afastou do mundo pop. Para muitos, o álbum foi mal compreendido, para outros realmente não decolou como deveria devido principalmente a uma falta de divulgação. Das músicas, apenas Applause virou single e ganhou a divulgação merecida. O segundo single escolhido foi Do what you want, mas acabou não ganhando clipe. Talvez para compensar, algum tempo depois houve o lançamento de G.U.Y.

Desde então, a cantora se aventurou no mundo do jazz, lançando, junto com Tony Benett, Cheek to Cheek; no mundo das séries, participando de duas temporadas de American Horror Story, e ganhando um Globo de Ouro por sua atuação; e até mesmo nos cinemas, sendo indicada ao Oscar por Til it Happens to You, música do documentário The Hunting Ground.

Quem estava acostumado a ver a cantora ousando sempre, chegando a vestir os looks mais extravagantes e arriscando ritmos diferentes em suas músicas, já estava com saudades desse universo. Afinal Love Game, Bad Romance e Born this way são músicas que ainda hoje são lembradas pelos amantes do pop.

Bom, o mundo voltou os olhos para a cantora quando, em agosto, ela anunciou o lançamento de seu novo single, depois de três anos de afastamento do mundo pop. Como esperado, Perfect Illusion veio ao mundo em setembro, já dividindo o universo pop. Para alguns, era extremamente diferente de tudo que a cantora já havia feito, enquanto para outros a reinvenção era algo positivo e a música era só elogios.

Mal sabiam que isso só estava começando. Pouco tempo depois, Gaga anunciou seu novo álbum, Joanne, que chegou às lojas no último dia 21 de outubro. Para quem não sabe, Joanne é o nome de uma tia da cantora, que combateu por 19 anos a doença de lúpus, mas acabou falecendo. Por isso, Gaga decidiu homenagear a tia. Ao longo das últimas semanas os fãs se surpreenderam com uma cantora totalmente diferente daquela que conheciam. Lady Gaga estava mais intimista, adotando uma postura contrária àquela conhecida anos atrás. Anunciou uma turnê em bares pequenos, da mesma maneira que era antes de se tornar famosa. Além disso, ao liberar mais algumas canções, surpreendeu com a sonoridade country contida nelas. Cadê os batidões e os refrões viciantes ao qual estávamos acostumados a ouvir? Isso foi tema de inúmeros e divertidos memes pela internet. Mas enfim, vamos ao álbum.

2016 foi o ano de as grandes cantoras se arriscarem em álbuns que podemos chamar de conceituais, como Rihanna com Anti e Beyoncé com Lemonade. Conceitual no sentido de que não são álbuns comerciais como os anteriores, mas que, de certa maneira, chamaram a atenção e se tornaram sucessos. Joanne não foge a regra. O álbum, que vazou quatro dias antes do lançamento, parou a internet.

As músicas mais animadas do álbum são A-YO, Dancin’ in Circles, Hey Girl, Sinner’s Prayer e Angel Down. As duas primeiras com grande potencial para virar single. A-YO é extremamente animada e tem uma pegada bem country, enquanto a segunda lembra um pouco do que estávamos acostumados a ouvir da cantora. Hey Girl é uma parceria com Florence Welch e é bem gostosa e leve de ouvir. Sinner’s Prayer lembra um filme de faroeste e Angel Down se encaixaria em algo que Lana Del Rey talvez fizesse.

Para os fãs de músicas mais calmas, há Diamond Heart, Joanne, John Wayne e Million Reasons. A última, que foi liberada como single promocional, é uma música sobre amor e a dor de perder alguém, perfeita para os momentos de bad. Brincadeiras à parte, a letra é clara: “You’re giving me a million reasons to let you go /
You’re giving me a million reasons to quit the show”. Outro grande destaque, mas que entra nessa categoria de músicas mais tranquilas, é Come to mama. Para muitos, a música poderia ser a Born this Way dessa nova fase. Na letra, a cantora fala sobre amarmos uns aos outros, não importa as diferenças.

Há quem aprove a nova fase da cantora e há quem diga o contrário. A luta é grande, pois Gaga já é presença confirmada no próximo Super Bowl, logo os olhos estarão voltados para a cantora e o que ela irá aprontar. É uma surpresa encontrar algo assim por alguém que já fez músicas como Just Dance e Love Game. Joanne não é um álbum que vicia na primeira vez. É estranho. Mas com o tempo você se acostuma e até mesmo passa a gostar. Dê uma chance a essa nova Lady Gaga e se surpreenda.

 

Joanne

Artista: Lady Gaga

Lançamento: 21 de outubro de 2016

Gênero: Pop

Nota: 4/5

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