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Crítica: Moonlight – Sob a luz do luar

Postado por: Stephany Guebur 0 Categoria: Cinema & TVOscar 2017

moonlight-cartazO filme Moonlight – Sob a luz do luar, dirigido por Barry Jankins, tem um ar de melancolia e atravessa momentos da vida de Chiron, um menino gay e negro que vive nos subúrbios de Miami. O filme foi adaptado da peça de Tarell McRaney “In Moonlight Black Boys Look Blue”. Sem um grande estúdio para filmar e apenas cinco milhões de dólares – um orçamento baixo -, a produção independente do diretor conseguiu mostrar o outro lado de Miami.

O filme é dividido em três partes: a infância, em que Chiron faz amizade com o traficante Juan (Mahershala Ali); a adolescência, onde descobre sua sexualidade que já fora colocada em evidência ainda quando criança e é explorada com o amigo Kevin; e, para finalizar, a vida adulta, em que se torna bem parecido com o personagem Juan que conheceu na infância. O protagonista é vivido por três atores que conseguem manter uma linha de atuação muito boa e se conectar com os personagens durante o filme, além de destacar a luta interna vivida pelo personagem. Os atores são Alex R. Hibbert (infância), Ashton Sanders (adolescência) e Trevante Rhodes (adulto).

A história começa quando Chiron é perseguido pelos seus colegas de escola e entra em um prédio para não apanhar, é ali que surge Juan (Mahershala Ali), um traficante que ajuda o garoto. Quando o menino não quer falar onde mora, ele resolve levá-lo para sua casa e lá conhece a namorada de Juan, Teresa (Janelle Monáe), e eles quase se transformam em uma família. O motivo disso é que Paula (Naomie Harris), mãe de Chiron, é viciada em drogas.

O único amigo que Chiron tem é Kevin, o que chama atenção nessa parte é a diferença na atitude dos dois. Juan tenta ajudar o menino a achar sua verdadeira identidade. Uma das cenas mais bonitas do filme é quando Juan leva o menino ao mar e o ensina a nadar, demonstrando a conexão que há entre os dois e a busca pela liberdade.

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Quando entra na adolescência, Juan está morto e sua mãe Paula cada dia mais viciada. Os colegas da escola continuam fazendo da sua vida um inferno e a coordenação não está nem aí para o que acontece dentro das suas instalações.  Quando chega a fase adulta, é possível ver um Chiron que se assemelha com o Juan, até que um dia seu amigo Kevin liga para ele de madrugada e pede para ele ir jantar no restaurante que trabalha e se desculpar pelo que ocorreu nos anos anteriores que fizeram os dois se afastar.

É possível destacar a participação de Janelle Monáe como Teresa, que é namorada do traficante Juan e acaba sendo um porto seguro para o garoto. Outro destaque vai para Naomi Harris, que interpreta Paula, a mãe de Chiron. Com uma atuação forte, ela representa uma mulher viciada em drogas, responsável pelo filho não ter nenhuma segurança. Ela concorre ao Oscar 2017, na categoria Melhor Atriz Coadjuvante.

A fotografia do filme é bem diferente dos demais longas ambientados em Miami, sempre cheios de cores. O filme possui uma paleta de cores escuras e que se contrasta com a ideia que muitos têm da cidade. São mostradas muitas expressões faciais dos atores, que não deixam a desejar em nenhum momento e intensificam a história densa de Chiron.

Após ganhar a estatueta de Melhor Filme Dramático no Globo de Ouro 2017, ele é um dos favoritos do Oscar 2017. O filme é uma descoberta pessoal, além de entender a aceitação de quem somos e como estamos solitários no mundo. Moonlight deve emocionar a todos, não é preciso ser negro, traficante e gay para entender a jornada de Chiron e ao mesmo tempo mostra temas importantes, que quase nunca são colocados em evidência.

 

FICHA TÉCNICA

Título original: Moonlight

Diretor: Barry Jenkins

Gênero: Drama

Duração: 110 minutos

Classificação: 14 anos

Países: EUA

Nota: 5/5

 

Stephany Guebur

Recém-formada em jornalismo, ama cultura de uma maneira geral. Acredita que tudo na cultura tem um porquê e deve ser passado através de gerações. Vive nas nuvens e um de seus sonhos é ser comissária.