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Crítica: Um Limite Entre Nós

Postado por: Maria Luiza de Paula 0 Categoria: Cinema & TVOscar 2017

um limite entre nós cartazConcorrendo ao prêmio de Melhor Filme no Oscar 2017, Um Limite Entre Nós (Fences, no original em inglês) é um filme norte-americano inspirado em uma peça teatral de mesmo nome. O longa foi dirigido por Denzel Washington, que também interpreta o protagonista.

Ambientado nos anos 1950, o longa conta a história de Troy Maxson (Denzel Washington) e sua família. Como a maioria dos negros de sua época, ele trabalha em um subemprego e vive com dificuldades financeiras. Ele é frustrado por nunca ter conseguido realizar seu sonho de ser um jogador profissional de baseball e, por isso, costuma fazer muitas metáforas com esse esporte para explicar os problemas da vida. Ele é casado com Rose (Viola Davis) e tem dois filhos, Lyons (Russell Hornsby), do primeiro casamento, e Cory (Jovan Adepo), do relacionamento atual.

A história do longa se passa principalmente dentro da casa e do quintal de Troy. Ele tem um melhor amigo, chamado Jim Bono (Stephen Henderson). Os dois se conheceram na prisão e desde então são parceiros e trabalham juntos como lixeiros. Troy também tem um irmão, chamado Gabriel (Mykelti Williamson), que possui problemas psicológicos causados por um acidente durante a guerra.

Um Limite Entre Nós não é um filme com muita ação, tendo seu foco em longos diálogos entre os personagens. Esse estilo pode tornar o filme cansativo para alguns, mas o texto escrito pelo dramaturgo August Wilson, que também assina o roteiro, é marcado por muitas nuances e uma certa leveza, mesmo falando sobre um tema difícil.

Denzel Washington e Viola Davis são os destaques, sendo convincentes o tempo todo e não por acaso ganharam indicações para o Oscar de Melhor Ator e Melhor Atriz Coadjuvante, respectivamente. Viola inclusive foi indicada nesta mesma categoria no Globo de Ouro 2017 e saiu vencedora. Sua personagem é uma dona de casa que abre mão de sua vida para estar junto ao marido e representa o ponto de equilíbrio entre ele e os filhos. Com o passar do tempo, ela vai ganhando mais espaço dentro da história e deixando de ser tão submissa e Viola soube trabalhar com maestria essa evolução da personagem.

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O título original do longa, Fences, poderia ter sido traduzido como “cercas”, é uma metáfora para as ações do protagonista. Ele de fato está querendo construir não apenas um limite físico em volta de sua casa, mas também um limite imaginário entre ele, a sua família e o resto do mundo. Essa barreira é uma forma de ele se proteger e fugir dos problemas, principalmente no que diz respeito aos conflitos sociais e raciais.

Ao contrário de Troy, seus filhos parecem ser mais abertos ao mundo e contestam os limites que o pai os impõe. Ele parece querer proteger Lyons e Cory de passarem pela sensação de terem seus sonhos frustrados e por isso os desencoraja de leva-los adiante. Um exemplo disso é quando o filho mais novo chega em casa dizendo que quer fazer parte do time de futebol e o pai diz para ele arrumar um emprego, pois negros não ganham espaço nos times principais.

O filme ainda se mantêm atual, pois infelizmente a questão do racismo ainda é muito forte não apenas nos Estados Unidos, mas como no resto do mundo. Porém, o texto de August Wilson vai muito além disso, explorando temas como conflitos familiares, perdão, entre outros. Por todos esses aspectos, Um Limite Entre Nós merece toda a atenção que vem recebendo.

 

FICHA TÉCNICA

Título original: Fences

Diretor: Denzel Washington

Gênero: Drama

Duração: 139 minutos

Classificação: 14 anos

Países: EUA

Nota: 5/5

 

Maria Luiza de Paula

Jornalista, curitibana. Acredita que a valorização da cultura e da arte são elementos fundamentais para uma sociedade evoluída. Através do site Expresso Cultural espera conseguir atrair as pessoas para este universo. Ainda compra CDs, viaja quilômetros para ver suas bandas favoritas, morre de ciúmes do seus livros.