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Raimundos grava DVD com Ivete Sangalo e Dinho Ouro Preto em Curitiba

Postado por: Guto De Leão 0 Categoria: Música

 

Show de rock num teatro? Sim, a noite já começou diferente por isto. Ah, e foi um show no formato acústico? Sim, foi acústico, mas em pouquíssimas ocasiões as músicas ficaram descaracterizadas. Muitas delas ganharam uma levada meio ska ou reggae, em outras o quarteto de cordas mostrou-se presente, bem como os instrumentos de sopro. Mesmo assim, quem estava lá agitando a galera e gravando seu próximo DVD era o Raimundos, uma das mais clássicas e influentes bandas de rock do Brasil.
As gravações ocorreram nos dias 17 e 18 de novembro, em Curitiba. O Expresso Cultural esteve presente na noite de sexta-feira (18) e desde já pode garantir que os fãs não se decepcionarão com este trabalho dos brasilienses, que tem lançamento previsto para o primeiro semestre de 2017.
Quem esteve no Teatro Positivo presenciou um show de rock atípico, com diversos convidados e com as coisas funcionando num ritmo diferente. Devido à gravação do DVD, a banda parava em todas as músicas, seja para afinar instrumentos, arrumar algum detalhe técnico ou apenas aguardar o “ok” do engenheiro de som afirmando que a música tocada ficou boa. A comunicação com os músicos via “ponto eletrônico” foi uma constante e a própria contagem inicial (o famoso 1-2-3-4) das músicas vinha da mesa de controle de som.
O show começou com “Gordelícia” e logo de cara já deu para ver como seria a noite. Todos em pé e cantando o tempo todo. A banda começou um pouco travada – Digão mesmo afirmou que estava um pouco nervoso – mas a cada música o astral ia melhorando e o público cada vez mais contente. Na sequência “Palhas do Coqueiro” e “Pão da Minha Prima”, esta uma das melhores do show. Entre as 27 músicas presentes no setlist oficial destacam-se também “Rapante”, “Nega Jurema”, “I Saw You Saying” – que virou uma baladona -, “Reggae do Maneiro”, “Cera Quente” e “Eu Quero Ver o Oco”.
Fora do repertório oficial, enquanto algum detalhe técnico era arrumado, a banda entreteve a plateia tocando trechos de algumas bandas que os influenciaram, como “Blitzkrieg Bop” dos Ramones, “Enter Sandman” do Mettallica e “Zóio de Lua” do Charlie Brown Jr. Aliás, o Charlie Brown Jr. esteve representado no palco nas duas noites de shows, com Marco Britto tocando um dos violões em todas as músicas.
Nesta segunda noite de gravação, a banda de Digão, Canisso, Caio e Marquim recebeu vários convidados especiais, como Rick Campos, filho de Digão, que tocou teclado em “I Saw You Saying” e encheu seu pai de orgulho e lágrimas (ao final da música o vocalista pediu um colírio para não pensarem que seu olho vermelho era outra coisa!).
Entre as presenças ilustres Dinho Ouro Preto, do Capital Inicial, deixou a formalidade do show acústico de lado e correu por todo o palco cantando “Mulher de Fases”. Já Ivete Sangalo, vestida à maneira rock’n’roll, com calça e camiseta pretas, esbanjou carisma e dividiu os vocais com Digão em “Baculejo” e “A Mais Pedida”.
O outro convidado, se é que ele pode ser chamado assim, foi o ex-baterista Fred. Após receber muitos elogios de seus antigos companheiros de banda ele se divertiu e soltou o braço em “Selim” e “Cintura Fina”.
Um outro fator inusitado e que agradou os fãs foi a repetição de algumas canções. Toda vez que os Raimundos erravam eles paravam na metade e recomeçavam. Além disso, as músicas com os convidados foram tocadas ao menos duas vezes cada para garantir que alguma delas tenha ficado boa. Neste quesito, destaque para Ivete Sangalo, tanto ela quanto a banda erraram bastante e ela ficou meia hora no palco para a execução das duas músicas que cantou.
Este fato, ao invés de incomodar o público, levou ao delírio, pois a sequência de erros e paradas rendeu muita conversa descontraída, histórias e elogios mútuos entre a banda e a cantora. Ivete, que num primeiro momento já havia elogiado a cidade, o rock nacional e a vestimenta rock’n’roll que trajava, terminou de ganhar o público quando após alguns assobios, levantou-se da banqueta onde estava sentada e deu uma voltinha para a alegria dos presentes.
Ivete merece um capítulo a parte nesta noite e certamente renderá alguns bons extras no DVD. Em determinado momento, em meio às tantas repetições das músicas, Digão contou que quando conheceu a baiana ela estava tocando bateria. O público vibrou e começou a pedir para ela tocar. Prontamente a cantora assumiu as baquetas e tocou com a banda “A Mais Pedida”. Ao terminar sua participação, antes de deixar o palco, a cantora deu mais uma rebolada arrancando risos e mais aplausos (e assobios) de todos.
Outro momento que arrancou gargalhadas (e certa inveja) do público (no local não era comercializada bebida alcoólica) foi quando em determinado momento o roadie de Canisso foi levar água para o baixista, que respondeu “que água, quero cerveja”. Prontamente o músico foi atendido e virou uma cerveja com a marca da banda. A partir deste momento ele só tomou cerveja até o final do show.
Além dos quatro músicos oficiais e de Marco Britto, o Raimundos contou com a participação do pianista e tecladista Jorge Bittar e do percussionista Renato Azambuja. Alternando em suas participações o trio de sopros foi composto por Felippe Pipeta (trompete), Pedro Vithor (sax) e Will (trombone) e o quarteto de cordas contou com Alexandre Brasolim e Juliane Weingartner nos violinos e Samuel Pessati e Péricles Gomes no cello.
Além dos músicos, o cenário do palco exibia um telão que mostrava os 27 clipes que Jodele Larcher produziu para cada uma das músicas. Os clipes alternavam entre vídeos, fotos, desenhos e animações.

Guto De Leão

Jornalista, guitarrista de bandas de punkrock, acumulador (ou seria colecionador?), pai de família e curitibano tradicional. É daqueles que sente prazer em saracotear pelo mundo, especialmente se for para ver um show de rock. Prefere o papel à leitura no computador. Grande fã de Joey Ramone e Mario Prata.